
Donasci/Folha Imagem
Por MANIHOT KADJ OMAN*
O Palmeiras tem São Marcos, pentacampeão mundial, um cara gente finíssima, que ganhou uma Libertadores incrível em 1999 e teve a hombridade pra ficar e jogar a Série B de 2003.
O São Paulo tem Rogério Ceni, um semi-deus, o maior goleiro artilheiro da história do futebol, futuro candidato à presidência do clube, motivador da célebre frase “Todos tem goleiro, só nós temos Rogério”.
O Corinthians tem Felipe.
Rebaixado três vezes (uma delas com o Timão), que falhou na final da Copa do Brasil num ano em que não se admitiam falhas, polêmico, questionado por muita gente.
Mas não se é o Time do Povo por qualquer coisa.
O único dos três que teve a coragem de quebrar a barreira do espetáculo, deixar de ser a estrela e virar mais um no meio da massa foi o arqueiro alvinegro.
Naquele momento, não haviam jogador, torcedor, policial, imprensa, classes socias, nada.
Eram todos povo.
Em uma festa incrível, uma festa que muitos dizem ser “por nada”, que quase todos concordam não ser mais do que obrigação.
Uma festa que só o povo pode fazer, só povo sabe fazer, só o time do povo consegue escrever sem necessitar estar com sete em campo e com um pênalti contra pra ser inacreditável.
E trezentos e vinte e cinco dias depois de passar 18h num ônibus junto ao mesmo povo sofrido e desconfiado do que estava por vir, de assistir uma parte tão grande da minha vida ser tirada do lugar sem muito pudor, algo tão forte que não conseguiu nem me fazer chorar, tamanho o choque, estava eu novamente em meio à massa, feliz como nunca por ser massa, às lágrimas.
Lembrando de cada momento desde que aquela senhora gaúcha que presenciava um quase-funeral à porta de sua casa saiu à janela balançando com um orgulho triste o estandarte do meu coração.
Hoje, como nunca, cada alvinegro é Felipe.
E Basílio.
E Romeu, e Viola, e Ronaldo, e Neto, e tantos outros (eu acrescentaria Casão e Sócrates).
Todos heróis de um time sem heróis, que sempre se destacou pelos feitos coletivos muito mais que pelos individuais.
Esteja em qual lado for do alambrado.
No Corinthians, isso não faz – nunca fez – diferença.
Porque, como diria um falecido – cedo demais – torcedor alvinegro*, a gente é compromisso, não é “viagem”.
Ôôôôôô…
O Coringão voltou…
O coringão voltou…
O Coringão voltou…
Fonte: Blog do Juca