Viver os bastidores do esporte, mais especificamente o futebol me faz deparar com fatos, situações e posturas que minha displicente ingenuidade não me permitia imaginar que são coisas reais.
Fazia algum tempo que não cobria o Noroeste. Com o setorista em férias, fui fazer uma matéria sobre o embarque dos jogadores para a pré-temporada em Águas de Lindóia. Chego quase uma hora antes do horário marcado para o embarque. Enquanto espero, saboreando um picolé do Baiano – o vendedor de sorvetes oficial dos jogadores do Noreste – dois jogadores se sentam próximo a mim para chupar aquilo que eu já estava terminando. Um esta no clube há cerca de um ano. O outro chegou por esses dias, com passagem por um clube grande do futebol paulista. A conversa era a seguinte: – Não sei porque temos que ir prá lá (pré-temporada). Podíamos muito bem ficar treinando por aqui.
- É verdade. – respondeu o mais antigo no clube. – Sua mulher vai ficar sozinha por aqui? – prosseguiu.
- Não, minha sogra está vindo para ficar com ela. – disse o recém-contratado.
- Que bom, porque ela ainda não conhece a cidade direito.
- É, mas eu já avisei ela. Quando eu voltar não quero encontrar a bruxa. Odeio a minha sogra.
Bom, no mínimo o cara tem medo de que a sogra convença a filha de que ele não é homem pra ela, embora jogador de futebol costume ganhar uma fábula, e mulher que casa com eles costuma dar certa importância para isso. E a preocupação do outro jogador com a mulher alheia?





